CORRUPÇÃO E ROUBO NO TOCANTINS:Estado compra 590 camas hospitalares a R$ 22,6 mil cada e é criticado por cooperativa médica

Estado compra 590 camas hospitalares a R$
22,6 mil cada e é criticado por cooperativa
médica
Licitação contou com pelo menos oito empresas; maioria foi inabilitada e sobrou a paulista Linet
para fornecer camas no valor total de R$ 13,3 milhões; valor está empenhado com recursos de
enfrentamento da Covid-19
26/05/2020 – 19:10
Presidente da Unimed na capital do Estado, o médico Ricardo Val Souto
postou no final de semana uma crítica à compra de 590 camas hospitalares
automáticas pelo governo do Tocantins ao custo total de R$ 13 milhões. Ele
apontou alto preço por equipamento que calculou em valor médio de R$ 23
mil por ser importado em detrimento ao modelo nacional que custaria entre
R$ 6 mil e R$ 10 mil.
“Só nesta brincadeira, foram para o ralo (ou para outro lugar) cerca de 10
milhões de reais. Detalhe: quebrou, joga fora, porque manutenção no Brasil
não tem. Fora o absurdo dessa aquisição em si, pergunto: aonde pretendem
enfiar essas quase 600 camas, se o governo diz ter abandonado a idéia (sic)
dos hospitais de campanha?”, questiona o médico (postagem no final).
A Unimed é uma das empresas que o governo do Tocantins confiscou leitos de UTI para
atendimento de pacientes com Covid-19 pelo SUS. Desde o ato, considerado arbitrário pelas
empresas, o presidente tem tecido críticas à atuação do Estado no enfrentamento do coronavírus.
À esquerda, as novas camas hospitalares e, à direita,
as velhas, depositadas no pátio do HGP (Foto:
Governo do Tocantins/Redes Sociais/Montagem)
Proposta
vencedora Linet
(Foto:
Reprodução)
27/05/2020 Estado compra 590 camas hospitalares a R$ 22,6 mil cada e é criticado por cooperativa médica
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O JTO examinou o processo de compra das camas que teve como vencedora a empresa
importadora Linet, de São Paulo (SP), existente desde 2012, radicada na Alameda Santos, no
bairro Cerqueira César. A original é uma marca européia. A empresa foi a escolhida para 531
camas ao custo unitário de R$ 22.600,00 e depois chamada a assumir a cota para pequenas
empresas de mais 39 camas, pelo mesmo valor, fechando o total de R$ 13.334.000,00.
A despesa usada para pagar a empresa tem como fonte de recurso o código “2491002823” e
descrição “Incremento temporário Covid-19”. A reprodução do empenho (reserva no orçamento)
está no final da matéria. O empenho é de abril deste ano. Aberto em janeiro desse ano e
finalizado em março, o processo comprou ainda mais 45 macas transparentes da RC Móveis a R$
9.300, 00 cada e total de 418.500,00.
A resposta do governo
A resposta do governo saiu em matéria publicada em seu site institucional. Segundo o governo, o
recurso é do Ministério da Saúde (MS) recebido por meio de emendas parlamentares
impositivas.
Sobre o preço o governo publicou: “Em consonância com fluxos de aquisição, as camas
automatizadas foram licitadas e adquiridas por preço praticado no mercado, de acordo com suas
especificações”.
Além disso, o governo defende que as camas irão “ofertar uma melhor assistência ao usuário do
Sistema Único de Saúde (SUS), unidades hospitalares do Estado receberão um reforço de camas
elétricas com colchões que darão também suporte à assistência aos pacientes suspeitos ou
confirmados de Covid-19”.
Saiba como foi a escolha da Linet
Na licitação, outras empresas apresentaram lances de R$ 16 mil (RC Móveis), de R$ 18.800
(Móveis de Metal), R$ 19 mil (Hospimetal), R$ 19.800 (Moveis Andrade), R$ 20 mil (Fraga
Produtos Hospitalares e Andreia Lorenzi), R$ 31.858,66 (Linet), R$ 50 mil (Araca Prolab).
A Moveis Andra, Araca, Meta Móveis foram inabilitadas por “deixar de apresentar documento
de habilitação”. Também houve a inabilitação da RC que havia baixado o valor da cama para R$
11.400,00 com base em parecer da SES de dois engenheiros atestando que a cama não atende ao
solicitado.
27/05/2020 Estado compra 590 camas hospitalares a R$ 22,6 mil cada e é criticado por cooperativa médica
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