Eleição de 2018 deixa claro que Fundo Eleitoral deve ser extinto

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Eleição de 2018 deixa claro que Fundo Eleitoral deve ser extinto

Um grande fantasma criado pelos defensores do sistema político vigente foi eliminado: o de que era imperativo que o dinheiro dos impostos bancasse as campanhas eleitorais.

Para convencimento desta tese, um colunista tucano chegou até a afirmar que as organizações criminosas do tráfico seriam as grandes financiadoras desta eleição.

Foi com esta artimanha que o sistema conseguiu que a base do governo de Michel Temeraprovasse R$ 1,7 bilhão a ser distribuído para as campanhas deste ano.

Porém, três candidaturas da campanha mais importante, a presidencial, mostraram na prática como é possível fazer política sem lavar dinheiro, seja de caixa 2 ou de impostos.

Cada um com seu estilo e histórico diferente, João Amoêdo (NOVO), Jair Bolsonaro (PSL) e Cabo Daciolo (Patriota) tiveram votações consagradoras mesmo contando com pouquíssimo tempo de TV e sem costurar alianças interesseiras.

Não precisamos falar do desempenho fenomenal de Jair Bolsonaro, os outros dois também superaram em votos campanhas milionárias como as de Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (PODEMOS) e Marina Silva (REDE).

Amoêdo é um multimilionário banqueiro que há alguns anos mergulhou na intenção de criar um partido político que representasse alguns ideais então ausentes do debate público, em troca dele ser o candidato presidencial. Após idas e vindas o NOVO obteve registro na Justiça Eleitoral e conseguiu, já em 2016, participar do pleito. Com contribuições dos filiados, entusiastas e principalmente dinheiro do próprio Amoêdo, o presidenciável fez quase 2,7 milhões de votos, o que totaliza 2,5% dos votos válidos e foi quase metade dos votos obtidos por Geraldo Alckmin (PSDB), que montou um consórcio avassalador de partidos em seu apoio.

Cabo Daciolo é o segundo maior fenômeno desta eleição. Até então praticamente desconhecido, seu estilo de pastor bastante assertivo cativou. Embora suas falas bíblicas assustassem jornalistas e artistas que dominam o cenário público brasileiro, elas soavam naturais para as pessoas que vão a igrejas evangélicas ou conhecem pessoas que frequentam. Enquanto certa elite esquerdista faz chacota dos bordões religiosos de Daciolo, eles caíram no gosto popular e o Cabo dos Bombeiros passou a ser benquisto por muita gente. Ele obteve 1,34 milhão de votos, o dobro de Guilherme Boulos (PSOL) que sempre é tratado com respeito e reverência pela elite brasileira e que teve muito mais espaço de divulgação na campanha. Seus votos foram conquistados basicamente por suas participações nos debates pois passou uma boa parte da campanha orando no monte. Sua vitória sobre Marina Silva comprova que qualidades individuais como firmeza, boa retórica e clareza de princípios são diferenciais.

Por fim, houve Jair Bolsonaro. No leito de um hospital, quase sem voz, com 8 segundos de horário eleitoral mas com uma militância espontânea jamais vista e difícil de imaginar sendo reproduzida futuramente, o capitão do exército conseguiu feitos que causam assombro no mundo todo. Não há paralelo! Sua popularidade e sintonia com parte do eleitorado levou-o ao segundo turno com uma liderança dificílima de ser superada mesmo tendo sido atacado abertamente pela Rede Globo de Televisão em horário nobre em três editoriais – pra não falar das maledicências costumeiras com que é tratado pelos jornalistas em geral.

O desempenho desses três presidenciáveis se torna ainda mais marcante quando se faz a justaposição entre seus métodos e recursos com os de Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes(PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Eles retratam características, às vezes convergentes, outras vezes opostas, mas de um mesmo movimento de renovação em costumes que, todos acreditávamos, seriam o destino inevitável da política no país.

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