Em despedida do Exército, Villas Bôas chora e é abraçado por Bolsonaro

Em despedida do Exército, Villas Bôas chora e é abraçado por Bolsonaro

Hanrrikson de Andrade/UOL

11.jan.2019 – Transmissão de comando do Exército para Leal PujolImagem: Hanrrikson de Andrade/UOL

Guilherme Mazieiro, Gustavo Maia, Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

11/01/2019 11h43Atualizada em 11/01/2019 11h52

O general Eduardo Villas Bôas chorou e foi abraçado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a transmissão do comando do Exército, nesta sexta-feira (11), em Brasília. O general fez um discurso em que disse que 2018 foi ano “desafiador para as instituições e para a identidade nacional”. A cerimônia marca o início do comando do Exército sob o general Leal Pujol.

Após a leitura do discurso, Villas Bôas foi aplaudido de pé. O primeiro a levantar foi Bolsonaro, que lhe prestou continência e se aproximou para ouvir do general poucas palavras, em privado, e o abraçou.

O pronunciamento do agora ex-comandante do Exército foi concluído com “Brasil acima de tudo”.

Além disso, o brado “Brasil acima de tudo” é um dos símbolos de maior vibração e expressão entoado pelos integrantes da Brigada de Infantaria Paraquedista. Brasil acima de tudo é um brado criado pelo movimento que ficou conhecido como Centelha Nativista, um movimento de oficiais paraquedistas que teve atuação política durante o regime militar. Embora o movimento não exista mais foi incorporado pelas organizações militares atuais e é associado à ideia de patriotismo e lealdade. Além disso, a frase é parte do slogan da campanha de Bolsonaro.

Com auxílio mecânico para respirar, Villas Bôas entrou no salão em uma cadeira de rodas, sendo deslocado por um ajudante. Ele discursou com um microfone preso à cabeça.

Em posição de destaque na primeira fila no palco, Bolsonaro e o vice-presidente, Hamilton Mourão, sentaram-se entre o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, além dos comandantes do Exército.

Atrás deles, ficaram outros militares e ministros do governo Bolsonaro como o ex-juiz federal Sergio Moro, da Justiça e da Segurança Pública, e o general Augusto Heleno, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

O ex-comandante, Villas Bôas, fez uma declaração via Twitter antes da cerimônia, em que desejou “saúde, sorte e paz para [Pujol] tomar as decisões certas, mesmo sob o intenso calor da batalha”.

Dentro de instantes, passarei o Comando do Exército ao grande amigo, General Leal Pujol. Desejo-lhe saúde, sorte e paz para tomar as decisões certas, mesmo sob o intenso calor da batalha.

– General Villas Boas (@Gen_VillasBoas) January 11, 2019

Antes da leitura da Ordem do Dia do general VIllas Bôas, o mestre de cerimônias anunciou que seriam prestadas honras militares ao presidente, agraciado nesta sexta com Ordem do Mérito Militar, grau grão mestre.
Esta é a mais alta medalha do Exército, recebida por generais do alto comando. Bolsonaro a recebeu porque, mesmo tendo chegado só até a patente de capitão. é agora o comandante-em-chefe das Forças Armadas.

A maioria das autoridades (inclusive civis) se virou para Bolsonaro em posição de continência. O presidente do STF, Dias Toffoli, no entanto, permaneceu parado na posição que estava.

A cerimônia marca a terceira e última troca no comando das Forças Armadas. Na última sexta-feira (4), o tenente-brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermúdez tomou posse como comandante da Aeronáutica. Nesta quarta (9), foi a vez de o de almirante esquadra Ilques Barbosa Junior assumir a Marinha.

Ministro da Defesa quase derruba microfone

A formalidade da cerimônia não impediu que o público presente desse risadas no momento que o ministro da Defesa se atrapalhou com o microfone e acabou derrubando-o. A cena ocorreu quando ele falava sobre “estabilidade”.

Na posse de Azevedo, no último dia 2, Bolsonaro abriu seu discurso dando um “muito obrigado” ao comandante Villas Bôas e revelando a existência de uma conversa secreta entre eles.

“O que nós já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por estar aqui. Muito obrigado, mais uma vez”, declarou o presidente.

Azevedo fez um breve discurso e também encerrou com o brado “Brasil acima de tudo”. (*Colaborou Luis Kawaguti, de Brasília)

você pode gostar também