Investigação aponta que golpe no Auxílio Emergencial era aplicado por casal que se oferecia para ajudar na solicitação do benefício

 


Operação da PF realizou buscas em Palmas e Itaguatins — Foto: Débora Ciany/TV Anhanguera

Operação da PF realizou buscas em Palmas e Itaguatins — Foto: Débora Ciany/TV Anhanguera

O esquema de fraude no Auxílio Emergencial que é alvo da operação Fraudulenti Auxilium, da Polícia Federal, começou a ser investigado após duas vítimas procurarem ajuda da PF. Os golpes eram aplicados por um casal que se oferecia para fazer o cadastro de pessoas para receber o benefício. Eles suspostamente se aproveitavam de indivíduos carentes e sem escolaridade, com dificuldade para operar os sistemas da Caixa Econômica para solicitação do benefício.

G1 solicitou um posicionamento do banco sobre o caso e aguarda uma resposta.

Nesta quarta-feira (30), os agentes da PF saíram às ruas para cumprir dois mandados de prisão preventiva contra um casal em Paraíso do Tocantins, na região central do estado. Também foram cumpridos seis ordens de busca e apreensão em Palmas e Formoso do Araguaia, além de Paraíso. Todos foram expedidos pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Tocantins.

Segundo a decisão que autorizou a operação, do juiz federal João Paulo Abe, a investigação apontou que os suspeitos se ofereciam para prestar o serviço de requerimento administrativo do Auxílio Emergencial nos canais de acesso remoto da Caixa Econômica Federal. As vítimas entregavam seus dados pessoais para o cadastro e após a aprovação do benefício pagavam uma comissão de R$ 50 sobre a primeira parcela do benefício.

Depois disso, os valores totais das demais parcelas pagas pelo Governo Federal eram subtraídos pelos criminosos mediante pagamento de boletos, transferências e compras em cartão de débito e crédito. Após o golpe os criminosos interrompiam a comunicação com as vítimas e deixavam de responder as mensagens ou atender ligações.

O golpe só era descoberto após as pessoas procurarem a Caixa Econômica para tentar sacar as parcelas. Pelo menos duas vítimas foram identificadas, mas uma delas relatou que procurou os suspeitos após indicação de terceiros. Para a polícia isso indica a possibilidade de que os criminosos enganado um número indeterminado de indivíduos. Ainda não se sabe o valor do prejuízo causado.

Os investigadores chegaram até o casal após o cruzamento de dados dos números de WhatsApp utilizados pelos suspeitos para aplicar os golpes e a titularidade de contas para onde parte do dinheiro dos golpes foi transferido. As investigações continuam para que o esquema seja detalhado e para apurar se outras pessoas participaram dos crimes.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato majorado, furto qualificado mediante fraude (via internet banking), associação criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem chegar a 19 anos de prisão.

O nome da Operação “Fraudulenti Auxilium” é uma referência, em latim, ao auxílio fraudulento recebido pelos suspeitos em prejuízo das vítimas, que são os verdadeiros beneficiários.

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