Lula denunciado pela Lava-Jato por lavagem de dinheiro

09/2020 Lula denunciado pela Lava-Jato por lavagem de dinheiro
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Brasil
Lula denunciado pela Lava-Jato por lavagem de dinheiro
Força-tarefa em Curitiba acusa o ex-presidente de dissimular o repasse de 4 milhões de reais na forma de doações da Odebrecht ao
Instituto Lula
Por Robson Bonin – Atualizado em 14 set 2020, 17h37 – Publicado em 14 set 2020, 16h28
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A força-tarefa da Lava-Jato no Paraná apresentou nesta segunda denúncia contra o ex-presidente Lula, o ex-ministro
Antonio Palocci e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, pelo crime de lavagem de dinheiro.
O trio é acusado de dissimular doações da Odebrecht ao Instituto Lula de 4 milhões de reais entre dezembro de 2013 e
março de 2014.
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14/09/2020 Lula denunciado pela Lava-Jato por lavagem de dinheiro | VEJA
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Os valores ilícitos foram repassados mediante quatro operações de doação simulada, cada uma no valor de 1 milhão de
reais, diz a Lava-Jato.
“A existência de contas correntes informais de propinas entre as empreiteiras Odebrecht e OAS com o Partido dos
Trabalhadores, a partir das quais foram repassados valores milionários para a aquisição e reforma de imóveis em favor do
ex-presidente Lula – uma cobertura triplex no Guarujá/SP e um sítio em Atibaia – já foram reconhecidas pelo Juízo Federal
da 13ª Vara de Curitiba e pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. No âmbito desses processos criminais também foi
reconhecido que tais contas correntes de propina foram alimentadas com vantagens indevidas auferidas pelas empreiteiras
OAS e Odebrecht mediante a prática de crimes de cartel, licitatórios e de corrupção em detrimento da Petrobras”, diz a
Lava-Jato.
Para os investigadores, “os repasses ilícitos da Odebrecht a Lula, que totalizaram 4 milhões de reais e são objeto da
denúncia apresentada, tiveram a mesma origem ilícita (crimes praticados em detrimento da Petrobras) e seguiram a mesma
sistemática (dedução em caixas-gerais de propinas de empreiteiras com o Partido dos Trabalhadores) que já foi reconhecida
em ações penais julgadas pela Justiça Federal em primeira e segunda instância”.
Segundo a Lava-Jato, as investigações apontam que, para dissimular o repasse da propina, Marcelo Odebrecht, atendendo a
pedido de Lula e Okamotto, determinou diretamente que o valor fosse transferido sob a forma de doação formal ao Instituto
Lula. “Os valores foram debitados do crédito ilícito de propina contabilizado na ‘Planilha Italiano’, mais especificamente
da subconta chamada ‘amigo’ (rubrica referente a Lula, conforme as provas), na qual foi inserida a anotação ‘Doação
Instituto 2014’ no valor de R$ 4 milhões, como demonstrado por reprodução da planilha incluída na denúncia”, diz a LavaJato.
O procurador da República Alessandro Oliveira destaca o amplo conjunto de provas que permitiram fundamentar a
denúncia. “São centenas de provas, de comunicações a planilhas e comprovantes de pagamento que ligam a doação formal
de altos valores a possíveis ilícitos praticados anteriormente. Isso demonstra a complexidade e a verticalidade da análise
realizada pela força-tarefa em diversas fases, nesse caso a lavagem de dinheiro, mas sem perder a noção de um contexto
mais amplo de práticas.”
Em nota, a defesa de Paulo Okamotto disse que o acusado “jamais tratou de propina ou de ilegalidades com ninguém, e
muito menos com Palocci, com Marcelo Odebrecht” e que ele “já foi absolvido em processo sobre doação ao Instituto
Lula”. “O Ministério Público de Curitiba repete a mesma ilegalidade. A defesa espera que não seja recebida essa repetição
de fatos jurídicos já apreciados com nova roupagem”, afirma o advogado Fernando Fernandes.

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