MOISÉS AVELINO PREFEITO DE PARAISO DÁ O BOM EXEMPLO E APLICA CLOROQUINA NO POVO DE SUA CIDADE

“Sou favorável à utilização da hidroxicloroquina associada ao antibiótico para tratar a Covid-19”

Ex-governador e atual prefeito de Paraíso defende o uso do medicamento enaltecido pelo presidente Jair Bolsonaro

Moisés Avelino, prefeito de Paraíso: defensor da hidroxicloroquina | Foto: Prefeitura de Paraíso

Piauiense de Santa Filomena, Moisés Nogueira Avelino migrou para Goiás na década de 1950, onde estudou Medicina pela Universidade Federal (UFG), curso concluído em 1973. Radicou-se então no Norte de Goiás, cidade de Paraíso. Filiou-se ao PMDB em 1981 – partido do qual nunca saiu – sendo eleito prefeito da cidade em 1982, para o mandato que duraria de 1983 a 1988, considerado um marco para o desenvolvimento do município. Devido ao trabalho prestado, Moisés Avelino foi eleito, posteriormente, deputado federal.

Eleito governador do Estado do Tocantins, sua gestão durou de março de 1991 a dezembro de 1994 e transformou a mais nova unidade da Federação em um canteiro de obras. Foi reconduzido ao Congresso Nacional, para o seu segundo mandato como deputado federal, de 2007 a 2010. Em 2013, foi eleito prefeito de Paraíso e reeleito em 2016, com 49% dos votos válidos.

Nesta entrevista ao Jornal Opção ele faz considerações sobre o enfrentamento da Covid-19, exalta seus elos com o MDB, ressalta o equilíbrio das finanças do município, além de discorrer sobre as obras em execução e outras que serão entregues.

Em relação ao combate à Covid-19 na cidade de Paraíso, quais foram as providências adotadas pelo governo municipal?
Em conjunto com minha equipe, principalmente minha secretária de Saúde, nos reunimos com o diretor técnico do hospital regional de Paraíso. Decidimos que a partir de segunda-feira, 18, iremos implantar o protocolo da medicação na primeira fase. As Unidades de Saúde vão atender as pessoas e, se houver suspeita de coronavírus, vamos entrar com a medicação por cinco dias. Se for necessário, faremos outros exames, mas vamos fazer o que teria que ser feito desde o começo: medicar a população suspeita, ao invés de simplesmente isolá-la. Vamos trabalhar em conjunto com o governo do Estado e será de comum acordo com o diretor técnico da unidade hospitalar estadual.

Recentemente, tivemos o exemplo da visita de uma ministra do governo federal a um hospital em Floriano, no Piauí, que adotou esse sistema. Eles tinham oito leitos de UTI ocupados e hoje não têm nenhum. Todos os pacientes estão medicados e em tratamento ambulatorial. O tratamento inicial dura cinco dias. São administrados dois comprimidos de 400mg de hidroxicloroquina no primeiro dia e nos demais, apenas um, associado ao antibiótico. Se mesmo assim houver evolução da doença, só então o paciente será encaminhado ao Hospital Regional para outros tratamentos. Creio que maioria dos casos não chegarão à terceira fase, que é a internação e entubação.

Seus argumentos, na condição de prefeito da cidade, são práticos e objetivos, pois a ideia é atender a população. Mas na condição de médico, qual é o seu posicionamento acerca da utilização da hidroxicloroquina para pacientes acometidos por Covid-19?
Estou há mais de 30 anos em Paraíso, exerci a Medicina aqui por mais de 20. Naquele tempo enfrentávamos cotidianamente casos de malária, visto a nossa proximidade com o Pará. Já usávamos essa medicação e os efeitos colaterais são mínimos. Mesmo que haja um ou outro efeito decorrente, é muito melhor do que enfrentar todos os estágios da Covid-19. Entendo que o que não pode ocorrer é termos um medicamento para a doença e não utilizá-lo.

E no que concerne às medidas restritivas de isolamento, qual o seu posicionamento?
Determinei a abertura do comércio em 30 de março e não me arrependi disso. Atualmente ainda existem algumas restrições, como cultos religiosos em igrejas e bares noturnos. Contudo, minha visão é que essa doença só vai acabar quando as pessoas estiverem imunizadas. Ora, a forma de imunizar a população é através de vacinas. E quando elas estarão disponíveis? Talvez em dois ou três anos, depois que passar por todos os testes científicos. Logo, a imunidade natural – que é o contato com o vírus e a criação de anticorpos de defesa – vai ocorrer, querendo os governantes ou não.

Muitas pessoas criam defesas naturais e nem sabem que foram contaminadas, pois foram  assintomáticas. Contudo, é claro que temos que reconhecer que indivíduos idosos ou com doenças preexistentes, como diabetes, hipertensão, asma, etc, merecem cuidado especial. Essas pessoas devem continuar em quarentena vertical, porque são mais vulneráveis.

Este, inclusive, é o meu caso. Tenho 80 anos, sou hipertenso e tenho baixa imunidade. Por isso, me recolhi na zona rural. Os meus secretários e assessores vêm até mim e despacham. No meu gabinete na Prefeitura só compareço se o assunto for urgentíssimo. Evito, ao máximo, transitar pelas ruas da cidade. Tenho consciência das minhas limitações e os indivíduos com as mesmas características deveriam fazer o mesmo.

No que concerne à sua sucessão, o TSE já confirmou que os prazos eleitorais estão mantidos. Qual a sua perspectiva para o pleito de 2020?
A possibilidade de prorrogar os atuais mandatos, sob meu ponto de vista, sempre esteve bem distante. Seria necessário alterar a constituição, passar por dois turnos de votação e, ainda, dois terços dos votos, nas duas casas legislativas. Não há a mínima chance de isso ocorrer, na minha visão, mesmo porque muitos dos congressistas não estão interessados na prorrogação.

Também não sei se resolveria adiar as eleições para dezembro. Essa campanha vai ser atípica, porque provavelmente não terá caminhadas, carros de som e outros mecanismos. É perigoso que ela fique apenas na internet e nas redes sociais, caso a pandemia perdure.

Neste caso, estou me preparando para entregar o cargo ao meu sucessor, a partir de janeiro de 2021, sem dívidas ou pendências. Minha expectativa que a democracia prevaleça e que meu sucessor tenha sucesso.

O candidato do seu grupo é seu atual vice, Celso Morais…
Sim, isso já está definido há muito tempo. Celsinho só não será o candidato do MDB em Paraíso se ele não quiser ou se, Deus nos livre, vier a falecer. Há uma grande possibilidade de elegê-lo, pois ele tem atuado junto comigo em todas as frentes, conhece os problemas e as soluções para a cidade. Vai dar continuidade ao nosso trabalho.

E quanto ao seu ex-vice do primeiro mandato, Ary Arraes, que tem dito que seu aliado Celso Morais não tem lhe ajudado a governar e não seria o candidato ideal?
Vejo como provocação política na busca por um espaço. Mas já disse ao Celso para se vacinar contra “fuxicos” políticos, vez que isso é natural em anos eleitorais. Faz parte do jogo. Não quero falar muito sobre isso para não dar mais “ibope”, mesmo porque a população conhece a história de ambos e sabe quem é verdadeiro. Em síntese, não existe absolutamente nada disso, pois o Celsinho é o meu candidato e do MDB a prefeito de Paraíso.

E o que ele, ou quem for eleito, vai encontrar como legado da sua gestão?
As ordens de serviços são constantes. Atualmente são mais de 18 obras em andamento e, se contarmos as escolas, vão para 28. Já finalizamos mais de 70 obras na zona rural, como galerias e pontes, com recursos próprios ou emendas parlamentares. Todas as estradas vicinais foram recuperadas.

Tenho orgulho de dizer que não estamos devendo ninguém. Garanto que o que for feito até o final do ano será devidamente pago, sem deixar dívidas para o sucessor. A Prefeitura está organizada e estamos restringindo gastos, mesmo porque a arrecadação caiu, em média, 50%, em razão da pandemia.

Priorizamos a folha de pagamento e estamos iniciando novas obras apenas se o dinheiro já estiver no caixa. Temos que administrar as dificuldades, isso é natural para os gestores públicos. Mas minha expectativa é que consigamos passar por cima disso tudo e consigamos chegar, em dezembro, com todas as nossas obrigações em dia.

O sr. é um dos ícones, um verdadeiro cacique do MDB do Tocantins. Como vislumbrou o crescente número de filiados após o fechamento da janela partidária?
O MDB sempre foi grande no Tocantins. Mesmo sem um candidato a governador em 2018, elegemos uma deputada federal e cinco deputados estaduais. Após a eleição, o senador Eduardo Gomes também migrou para a sigla.

É o único partido que tem base (diretórios ou comissões provisórias) em todos os municípios do Estado do Tocantins. Há uma história em cada um deles. Estamos estruturados, portanto. Em Paraíso, por exemplo, temos um dos diretórios mais bem organizados do Brasil, segundo a própria executiva nacional.

Em relação à janela de 2020, o MDB se fortaleceu ainda mais. Recebemos vários prefeitos e vereadores de mandato e vamos competir com muita força nas eleições deste ano. Creio que faremos o maior número de prefeitos no Estado do Tocantins, nesta eleição.

Um grande injustiça com a cidade de Paraíso foi o fato da BR-153 – que corta a cidade – não ter sido duplicada, enquanto que outras cidades do Tocantins receberam o benefício. A cidade é a porta de entrada para a capital, Palmas. O que houve de fato que para esse beneficio não chegasse ao município?
Esta é uma luta que perdura desde a época do saudoso senador João Ribeiro. É a quinta maior cidade do Tocantins e merecia essa duplicação. A mudança dos governos e dos ministros travou o início das obras. É necessário frisar que o município não pode tocar a obra, por ser responsabilidade e competência federal.

Já se cogitou até mesmo licitar a obra pelo Dnit do Tocantins. Contudo, atualmente essa demanda – que já estava em passos lentos – por enquanto, está definitivamente parada, em razão da prioridade governamental em combater a pandemia decorrente do coronavírus.

Vamos continuar lutando para que o governo federal se sensibilize e duplique a travessia no município, contudo, não é uma tarefa fácil.

 
você pode gostar também