O cavalo de troia que pode pegar os governadores de calças curtas (e apertadas), sem a blindagem do STF

O cavalo de troia que pode pegar os governadores de calças curtas (e apertadas), sem a blindagem do STF

Com os desdobramentos da articulação em torno da CPI, muita gente passou a perguntar sobre a traição do Kajuru. Mas como as conclusões não fechavam na minha cabeça, resolvi esperar mais um pouco para saber melhor o que iria escrever.

O que parecia de início era que a oposição tinha usado o senador, sobre o ônus da cabeça de Moraes, para criar essa CPI de ataque ao governo federal.

A ideia era que o congresso ignorasse o pedido do impeachment de Alexandre, e usasse a CPI para extrair mais cargos e ministérios do governo. Para a oposição também era bom, pois traria desgaste e travaria as pautas, deixando o país parado. O clima de insegurança econômica aumentaria ainda mais a crise, e esse, na minha opinião, era o objetivo.

CONTEÚDO PROMOVIDO

Porém é preciso voltar algumas casas no jogo, para entender melhor todo o lance.

No dia 16 de Março, a PGR e o MPF mandaram um ofício a todos os estados da União, pedindo explicação sobre o repasse de verbas, e desconstrução dos hospitais de campanha. Apurava também o destino dos equipamentos desses hospitais.

O governo não é bobo, e sabia que com algumas denúncias já feitas sobre desvios de alguns governadores, poderiam chegar a improbidade administrativa deles no repasse da grana. O problema é que houve uma grande articulação de blindagem, na qual o congresso não queria essa investigação. Os partidos não querem impeachment de seus governadores, principalmente os de oposição.

Assim uma carta com desculpas genéricas foi escrita para a mídia trabalhar, e um pedido enviado a Rosa Weber para liberação de mais verba, sem que os GOVERNADORES PRECISASSEM EXPLICAR O DESTINO ANTERIOR DOS REPASSES. Com ela acatando, ficou claro para o governo, que os governadores não seriam responsabilizados pelos problemas da pandemia, pois o supremo iria dar um jeito disso não acontecer.

O que fazer então?

Passado alguns dias, Kajuru vai a Jovem Pan, e diz que o governo não apoiaria a CPI, mas apoiaria o pedido de impeachment de Alexandre. A oposição gostou, pois uma articulação internacional e nacional foi feita no sentido de Bolsonaro ser responsabilizado por omissão na pandemia. A CPI seria o caminho, e você pode ver inclusive, as publicações de Freixo e muitos outros inimigos do presidente, dizendo isso.

Assim, Kajuru e Alessandro levam o pedido até Barroso, que acata de imediato. Na sequência, Bolsonaro no cercadinho diz que a decisão foi monocrática, e que além dos outros pedidos que vinham a frente, ERA PRECISO INCLUIR OS GOVERNADORES na CPI, tornando ela ampla.

O que Kajuru não imaginava é que a pressão pelo possível erro planejado iria aumentar no núcleo bolsonarista, e para acalmar os ânimos, era melhor adiantar parte de algo combinado. Como ele foi parte do plano, era preciso mostrar aos apoiadores do presidente. E por isso, liberou o áudio da conversa. Ele não quer perder esses votos.

Foi ai que a oposição se ligou que foi pega em uma armação das mais bem feitas.

A CPI, que na verdade serviria de ferramenta para um desgaste a Bolsonaro, acabou sendo um gigantesco cavalo de Tróia para INCLUIR UMA INVESTIGAÇÃO PLENA SOBRE A CONDUTA DOS GOVERNADORES, SEM BLINDAGEM DO SUPREMO.

Por isso Fabio Faria dizia que seria bom para o presidente, e por isso o presidente não disse nada sobre o áudio divulgado por Kajuru, na qual o próprio deputado disse que Bolsonaro estava ciente da liberação. Alessandro, já sabendo que Kajuru incluiria a investigação dos governadores, pediu adiamento para ele mesmo incluir. A merda ja estava feita, e era melhor passar a imagem de idôneo no pedido feito, para não categorizar uma explícita perseguição exclusiva ao governo federal.

Fux provavelmente enviará a decisão a plenário, e Barroso deve estar puto por ter sido feito de bobo.

O áudio caiu como uma bomba, e os congressistas estão criando meios para esvaziar a CPI; ou tirando assinaturas ou fechando a mesa para um resultado medíocre. A base também articula com outras instituições para incluir os governadores na comissão. Para eles, é melhor Bolsonaro vencer mais uma, que governadores e seus partidos perderem suas gestões. Nesse cenário temos duas possibilidades: ou a CPI anda, e tudo é realmente apurado, ou não dá em nada.

Creio na segunda opção.

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