Nova fase da Operação Catarse aponta indícios de que um funcionário fantasma da Secretaria Geral do Governo (SGG) atuou como cabo eleitoral de Mauro Carlesse (PHS) na região Norte do Tocantins. O próprio funcionário, Danilo Ugles Soares Ferreira, confirmou a suspeita durante interrogatório realizado pela Polícia Civil, na manhã desta terça-feira, 28. Dois mandados de busca e apreensão foram executados nas residências dos investigados, em Santa Fé do Araguaia e Araguaína, municípios localizados no Norte do Tocantins.

Ferreira é ex-vereador e hoje atua como secretário de Infraestrutura do município de Santa Fé do Araguaia, a 438 km de Palmas, além de fazer faculdade na região. Apesar da distância e dos compromissos com o município e com a vida acadêmica, Danilo esteve lotado na SGG, com sede na Capital, de fevereiro a outubro do ano passado, recebendo R$ 2.400 mensais. A polícia estima que o investigado tenha recebido indevidamente R$ 17.044,42.

Cabo eleitoral

Ao delegado Bruno Boaventura, responsável pelas investigações, Ferreira relatou durante interrogatório que o primeiro contrato fantasma com o Governo do Estado aconteceu ainda na gestão de Marcelo Miranda.

“Eles queriam que eu assumisse uma superintendência, com salário maior, mas eu já tinha começado uma universidade, estava com o semestre em aberto e era residente de Santa Fé. Encontraram algo com salário menor, mas que ficasse à disposição do governador durante mobilizações e idas do governador à Araguaína, além das reuniões políticas”, detalhou o secretário ao afirmar que, mesmo exonerado junto com a cassação de Marcelo Miranda em abril de 2018, conseguiu recontratação no governo de Carlesse com o auxílio da deputada estadual Valderez Castelo Branco (PP).

“Falei com a deputada que me colocou em contato com o Carlesse, a quem fiz o pedido diretamente para retornar com o contrato”, narrou o investigado. Questionado qual seria a contraprestação de serviço, Ferreira informou ser “articulação política” e que acompanhava o líder do Executivo quando este visitava o Norte do Estado antes e durante a campanha política de 2018. Ele também relatou durante o interrogatório que nunca assinou folha de frequência nem nenhum documento encaminhado ao RH para atestar frequência.

Outra investigada

Além de Danilo Ferreira, a polícia também investiga uma ex-servidora estadual residente em Araguaína. Para o delegado Bruno Boaventura, a investigada, esposa de um ex-parlamentar de município na região Norte do Estado, estaria trabalhando como artesã. Ela não teve a identidade revelada.

Outro Lado

Mesmo com o relato de Danilo Ferreira e os indícios apontados pela Polícia Civil, o Governo do Estado disse que “a operação Catarse não está relacionada à atual gestão” e que “as pessoas citadas foram contratadas pela administração anterior e desligadas com o fim da vedação do período eleitoral”.

Através de nota a deputada estadual Valderez Castelo Branco informou que “não há nenhuma notificação oficial sobre o assunto” e que “se coloca à disposição para esclarecer qualquer situação de forma oficial”.