Lava Jato liga filho de Lula à compra do sítio de Atibaia e complica petista

Lava Jato liga filho de Lula à compra do sítio de Atibaia e complica petista

Por Marcelo de Moraes

A Lava Jato deflagrou, nesta terça, a operação Mapa da Mina para investigar repasses de R$ 132 milhões da Oi/Telemar para empresas do grupo Gamecorp/Gol, que tem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como um de seus proprietários

Tudo de novo? Lulinha é o filho mais velho do ex-presidente Lula e a investigação da Lava Jato complica a situação do petista. Os investigadores afirmam terem encontrado ligação dos repasses feitos para a empresa de Lulinha com a compra das áreas que compõem o sítio de Atibaia. Foi justamente o caso do sítio que impôs ao ex-presidente sua condenação de maior pena: 17 anos e 1 mês. Foram cumpridos 47 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio, Bahia e no Distrito Federal. A Lava Jato apura a possibilidade de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

Podia ser pior. No pedido para fazer as buscas, a Polícia Federal chegou a solicitar a prisão de Lulinha, mas isso não foi aceito pela juíza Gabriela Hardt, da 13.ª Vara Federal de Curitiba. O impacto da operação teria sido, sem dúvida, maior ainda. Mas o estrago político de trazer Lula e uma pessoa tão próxima, como o seu filho mais velho, para o centro de novas investigações da Lava Jato causa um revés para o petista. E justamente no momento em que, depois de ser libertado da prisão, reassume seu papel de principal líder de esquerda do País e tenta se contrapor politicamente ao presidente Jair Bolsonaro.

Pirotecnia. Lula, como era de se esperar, contestou a nova investigação da Lava Jato, qualificando-a como “mais uma demonstração de pirotecnia”. “O espetáculo produzido hoje pela Força Tarefa da Lava Jato é mais uma demonstração da pirotecnia de procuradores viciados em holofotes que, sem responsabilidade, recorrem a malabarismos no esforço de me atingir, perseguindo, ilegalmente, meus filhos e minha família”, reclamou o ex-presidente.

Ganhou, mas não levou. Na Comissão de Constituição e Justiça do Senado foi aprovada a PEC que determina a prisão depois da condenação em segunda instância. A votação do texto, que ainda precisa ser aprovada nesta quarta, 11, na CCJ em mais um turno suplementar, provocou euforia entre os defensores da proposta. Mas foi uma vitória com sabor de derrota para seus apoiadores. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avisou que não vai colocar a proposta em votação no plenário. Ele anunciou que vai cumprir o acordo político que fez com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para fazer com que a PEC da segunda instância tramite por aquela Casa e não pelo Senado.

Consolo. A bancada lavajatista do Senado pôde, pelo menos, comemorar a aprovação do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que também foi aprovado na CCJ. Ao contrário da PEC da segunda instância, Alcolumbre pretende votar essa proposta já na sessão desta quarta, pela manhã, e liquidar a fatura. O pacote anticrime que passa está longe do que foi idealizado por Moro. A proposta foi bastante desidratada na Câmara e tudo indica que o plenário do Senado vai chancelar o mesmo texto amanhã. Saíram do pacote a polêmica excludente de ilicitude e o plea bargain. Apareceu a figura do juiz de garantia. Mas, depois de dez meses de tramitação pelo Congresso, Moro parece ter entendido que esse era o acordo possível para que a proposta inteira não fosse jogada fora pelos parlamentares.

BB não será vendido. Foi o que garantiu o presidente do Banco do Brasil, Rubens Novaes, em audiência pública na Comissão do Trabalho da Câmara. Perguntado pelos deputados se era verdade que gostaria de vender o banco, Novaes não negou. Mas avisou que isso não acontecerá. A razão, segundo ele, é simples. O presidente Jair Bolsonaro não quer. “Então, caso encerrado”, disse.

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