No Tocantins, 65 pacientes aguardam por cirurgias cardíacas no sistema público de saúde


No TO, 65 pacientes estão em fila do SUS aguardando cirurgia cardíaca; entenda

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No TO, 65 pacientes estão em fila do SUS aguardando cirurgia cardíaca; entenda

No Tocantins, 65 pacientes estão na fila de espera por cirurgias cardíacas, pelo sistema público de saúde. A informação é que não há materiais para a realização dos procedimentos. A Secretaria Estadual de Saúde disse que já abriu processos de licitação para fazer a aquisição, mas que não há empresas interessadas. A pasta não diz quando vai resolver o problema.

Uma das pacientes que estão aguardando por uma cirurgia é a Dona Matilde, de 70 anos. Há 20 dias, ela precisou ser socorrida ao cair em casa, quando sentiu uma tontura. O problema era o coração que estava batendo mais devagar. Desde então, a idosa está na UTI do Hospital Geral de Palmas esperando uma cirurgia para colocar um marca-passo.

“Está faltando um material, já foi passado para a administração, já entrei em contato com eles. Eles ficaram de me ligar para passar uma posição, até agora nada”, lamentou a neta da idosa, Jucimária Santana.

Paciente aguarda por cirurgia cardíaca há cerca de 20 dias — Foto: Divulgação

Paciente aguarda por cirurgia cardíaca há cerca de 20 dias — Foto: Divulgação

Essa semana, a TV Anhanguera mostrou o drama do pedreiro Josiel, que também está no HGP. Ele não conseguiu fazer a cirurgia no coração, embora haja uma decisão judicial. A mãe Maria de Jesus de Lima está aflita.

“Eu já estou muito angustiada porque eu vejo tanto jeito de eles fazerem isso, eu não sei porque eles não fazem, tantas pessoas morrendo”.

No dia 15 de março, o diretor geral do HGP alertou a Secretaria Estadual de Saúde sobre o número de pacientes precisando de cirurgias cardíacas. Na época, oito pacientes estavam na fila de espera no HGP. Mas o hospital não tinha condições de realizar os procedimentos por causa da falta de materiais.

Na época, o diretor pediu a transferência com urgência para o Hospital Dom Orione, em Araguaína, para evitar problemas para os pacientes.

O cardiologista Bernardo Kremer fala sobre as complicações que um paciente pode ter ao esperar muito tempo por uma cirurgia. “O eletivo, a gente programa resolver, a gente se cerca de diversas seguranças, exames adicionais para dar segurança ao paciente. Se a espera for muito longa, isso pode modificar o cenário, deixar de ser um procedimento eletivo para ser um procedimento de urgência, ou seja, ele estava esperando e de repente infarta nessa espera”.

Em nota, o Hospital Dom Orione, em Araguaína, informou que as cirurgias cardíacas pelo SUS são realizadas de acordo com o encaminhamento de pacientes feito pelo setor de regulação do estado, mas que nesse período de pandemia, as cirurgias eletivas estão temporariamente suspensas, sendo realizados somente os procedimentos de emergência.

“Eu me sinto indignada porque minha avó é uma pessoa de risco, tanto pela idade, quanto pelo problema que tem de saúde. Tantos dias nesse hospital, a gente fica com medo. Falta de respeito, será que eles não têm compaixão, não tem família?”, questionou a neta de dona Matilde.

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